"Abrindo..."

É preciso aceitar que crescemos, que mudamos e que a vida nunca vai ser como um dia imaginamos que fosse

 

É preciso coragem, pois somos incógnitas. Sim, somos um poço fundo e escuro de sentimentos e valores que aparentemente nem a gente entende. Hoje eu acordei e novamente lá estava ela a saudade, o substantivo feminino dos sentimentos que por coincidência se torna cada vez mais íntimo.

E por mais que eu a conheça muito bem eu me pergunto, qual será o prato preferido dela? O meu era lasanha, mas hoje é pizza... é somos incógnitas! Temos o privilégio de nos conhecer e reconhecer que não nos conhecemos quase todos os dias. Mudamos de emprego, apartamentos, mudamos nossos gostos.

No fim permanece a saudade, saudade de quando éramos crianças e os boletos ainda não caiam na caixinha do correio e de quando dormíamos na sala e acordávamos na cama. Saudade daquela amizade que sempre te acompanhou durante muito tempo, ou daquela simples paixão de adolescente que não você não conseguia desgrudar um segundo... Saudade que entra pela porta da frente e silenciosamente conquista um espaço e quando vemos já é tarde demais... e mandar ela embora já se tornou um fardo, afinal, a saudade é aconchegante em certos momentos.

É preciso aceitar que crescemos, que mudamos e que a vida nunca vai ser como um dia imaginamos que fosse. E aquele príncipe encantando que você tanto sonhou talvez não seja tão encantado assim, afinal, somos humanos e cometemos falhas.

É preciso abraçar a saudade com carinho e aceita-la como uma hospede que volta e meia insiste em visitar sem aviso prévio. Contudo, ela se cansa e arruma as malas, num estalar de dedos vai embora e como toda boa saudade retorna sem avisar...

É preciso reconhecer as nuances da vida as pequenas cores que sutilmente mudam todos os dias em nossos amigos, familiares, e claro principalmente em nós mesmos. Reconhecer essas mudanças é dar luz ao novo você, saber reconhecer falhas e acertos de maneira equilibrada sem se cobrar muito... É preciso lembrar que temos nosso próprio tempo e que um dia estamos bem e no outro, nem tanto, mas ninguém é feliz o tempo todo não é verdade? E quando a saudade lhe visitar, diga a ela o quanto você mudou de ontem pra hoje e o quanto você se conheceu novamente e sem que percebamos a saudade deixa de ser uma hospede inconveniente e nos abraça de volta.